Uma pequena Vanessa numa grande Alemanha.

Crónicas de uma moça perdida numa cidade onde falam uma língua estranha.

Hoje, depois de uns quantos dias a ‘fermentar’ esta ideia, decidi ir escrevendo por aqui – Avulso, como o nome indica, e como têm saído todos os posts deste blog – as minhas aventuras (e desventuras) por este país grande que é a Alemanha. Provavelmente, também é um grande país (pelo menos, é o que toda a gente me diz), mas isso é o que eu ainda estou para descobrir.

Aterrei aqui no dia 27, um dia depois de ter feito a mala. É verdade, fiz uma mala para seis meses na véspera de me vir embora. Até agora, já vi que me esqueci de umas quantas coisas (o panda que vi hoje ao espelho fez-me lembrar que desmaquilhante para os olhos deve estar sempre andar connosco), mas nada que não se resolva. Adiante.

Depois de estar aqui há uns 5 dias e meio, começou hoje, oficialmente, o período de seis meses que vou passar por aqui. A reserva da agência de viagens diz que regresso a Portugal no melhor dia para casar sem sofrer nenhum desgosto  – para os mais distraídos, 31 de Julho, porque depois entra A-gosto.

Aqui deixo as principais dificuldades (e respectivas soluções) que encontrei nos primeiros dias. Daqui para a frente, farei um pequeno diário de bordo destes seis meses. Espero que não seja tão maçador como este primeiro testamento.

1. A casa. Encontrar casa em Bonn é um pau. Por aquilo que já vi da experiência dos outros Inovs que estão na Alemanha, encontrar casa neste país é… um pau. Pela minha experiência, começa logo pela localização das ditas, porque uma coisa é ver ‘um quarto simpático, muito iluminado, ali para a zona do Cais do Sodré’; outra, completamente diferente, é ver ‘eine Zimmer, in Maxilimianstraße’ – bendito GoogleMaps, nunca fiquei tão contente por existires!

A minha fadinha deu-me uma mãozinha neste processo, e logo na sexta-feira, estava a carregar uma mala de 20kg pelas escadas de um hostel abaixo, por uma rua gigante abaixo, até à Hauptbanhof de Bonn, por um autocarro acima, uma rua acima e uma data de escadas acima. Esta aventura valeu-me dois joelhos negros. Aos 50, voltamos a falar, rótulas.

2. A língua. O português pode ser muito complicado – e eu que o diga, que na faculdade aprendi que não sabia escrever. Ainda hoje tenho sérias dúvidas sobre esta minha capacidade. Obrigada, TEP e LEP. Mas o alemão… Jesus, o alemão. Nos primeiros dias, sempre que alguém falava para mim, ficava na dúvida se estava a ser simpático ou se me estava a oferecer porrada. Agora já percebo que era mesmo a primeira hipótese.

No meu segundo dia aqui, depois de já ter vindo visitar esta linda casinha onde agora vivo (é mesmo linda, e é mesmo uma casinha! Um dia destes, partilho aqui a vista. Com direito a uma caneca de café e a uma frase poética na descrição), resolvi ir ao supermercado. Entrei, comprei uma pasta de dentes e um gel de banho e saí em pânico e com fome. Resolvi ir ao Starbucks (em equipa vencedora não se mexe, e Caramel Macchiato e Muffin diz-se da mesma forma aqui e em Portugal). Voltei para o hostel, tomei um duche e pensei ‘faz-te um homem e vai ao Google Translate ver como é que se diz coisas básicas de que precises para cozinhar’ (obrigada, Google, por existires). Consegui comprar frango, um molho Knorr e umas Pringles (uhuh, marcas familiares!) – ao menos, já tinha passado um dia sem passar fome. Uma pesquisa no Google sobre as diferenças entre alguns produtos, para saber o que é que se aproximava mais daquilo de que gosto, depois, consegui ir às compras e fazer um avio básico para os primeiros dias. Trouxe não sei quantos sacos às costas durante uma boa hora… Aos 50 falamos também, costas. Podemos combinar para o mesmo dia da conversa com as rótulas.

3. O meu sentido de orientação. É péssimo, seja em Lisboa ou aqui. Continuo a perder-me com facilidade em transportes públicos. É assim desde os 17 anos. Acho que nunca vou conseguir mudar. Obrigada, SWB, por teres autocarros falantes.

Hoje, consegui perder-me em Bonn, à procura da loja onde podia fazer o meu passe mensal. No fundo, a culpa não é minha. Aquela para onde me mandaram (um funcionário da própria SWB) estava fechada; o papel que estava na parede estava em alemão; o mapa a indicar onde era a nova loja era o pior mapa que já vi na vida. Felizmente, perdi-me com duas raparigas alemãs que andavam à procura do mesmo que eu. Enchi-me de lata (estrangeiro, a quanto obrigas!) e disse-lhes ‘Posso ir com vocês? Também não sei onde é a loja e três cabeças pensam melhor do que uma – ou duas!’ e lá fomos, como se nos conhecêssemos há imenso tempo. Encontrámos a loja (yay para nós!), fizemos os nossos passes e seguimos com a nossa vida.

4. O trabalho. É assustador mudar de trabalho. Sempre. Não sei porquê. Desde que comecei a trabalhar, este é… o meu 9.º trabalho. O meu 5.º desde que terminei o curso. Sempre que mudo, não consigo deixar de pensar que cometi o pior erro da minha vida – até mudar de trabalho outra vez. Hoje tive a primeira reunião de redacção na DW. Foi como se tivesse tido a primeira reunião de redacção da minha vida. Agora que o primeiro susto já passou, vou arregaçar as mangas e voltar a ser jornalista. Quinta-feira vou conhecer o Carnaval das Mulheres em Bonn Beuel (por aqui, começa-se a celebrar o Carnaval no dia 11/11, às 11h11m). Depois conto aqui como foi.

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6 thoughts on “Uma pequena Vanessa numa grande Alemanha.

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